
Em uma noite tensa de maio de 1938, o Brasil prendeu a respiração enquanto tiros ecoavam pelos jardins do palácio presidencial. Este artigo desvenda todos os segredos da Intentona Integralista, um dos episódios mais dramáticos da Era Vargas, oferecendo um resumo completo, uma aula aprofundada e exercícios para você dominar o assunto de uma vez por todas.
O que foi a Intentona Integralista? (Resumo Rápido)
A Intentona Integralista, ocorrida em 11 de maio de 1938, foi uma tentativa de golpe de Estado liderada por membros da Ação Integralista Brasileira (AIB) contra o governo de Getúlio Vargas. O objetivo principal era derrubar Vargas e o regime do Estado Novo, que ele mesmo havia instaurado em 1937. O plano consistia em um ataque direto ao Palácio Guanabara, a então residência presidencial no Rio de Janeiro, para capturar ou neutralizar o presidente. Apesar da audácia, o levante foi mal coordenado, fracassou em poucas horas e resultou em uma violenta repressão que desmantelou o movimento integralista no país, consolidando ainda mais o poder de Vargas.
O Cenário Político: A Ascensão do Integralismo no Brasil
Para compreender a ousadia e o desespero do levante de 1938, é crucial voltar alguns anos no tempo e entender o que foi a Ação Integralista Brasileira. Fundada em 1932 pelo escritor e político Plínio Salgado, a AIB foi um movimento político de massa, ultranacionalista, de inspiração fascista europeia, mas com características profundamente brasileiras. Seu lema era “Deus, Pátria e Família”, e seus membros, conhecidos como “camisas-verdes” devido ao uniforme que utilizavam, se organizavam de forma paramilitar.
A saudação “Anauê!”, de origem tupi, e o símbolo do Sigma (Σ), que representava a soma de todos os esforços em prol da nação, eram suas marcas registradas. O integralismo cresceu exponencialmente em um Brasil conturbado pela crise de 1929, pela instabilidade política e pelo medo da ascensão do comunismo. A AIB se apresentava como uma terceira via, uma solução autoritária e nacionalista para os problemas do país, que rejeitava tanto o liberalismo quanto o socialismo.
Eles defendiam um Estado forte, corporativista e centralizado. Na prática, isso significava o fim dos partidos políticos e a organização da sociedade em sindicatos profissionais controlados pelo governo. Esse discurso encontrou eco em setores da classe média, no clero, entre militares e em uma parcela da elite descontente. No auge, a AIB chegou a ter centenas de milhares de membros espalhados por todo o Brasil, tornando-se o maior movimento político de massa da história do país até então.
A Relação Conturbada: Vargas e os Camisas-Verdes
A relação entre Getúlio Vargas e os integralistas foi uma dança complexa de conveniência, aliança e, por fim, traição. Inicialmente, Vargas viu nos integralistas aliados úteis. Ambos compartilhavam um profundo anticomunismo. Em 1935, após uma tentativa de levante comunista conhecida como Intentona Comunista, Vargas utilizou o episódio para intensificar a repressão e fortalecer seu poder. Os integralistas apoiaram entusiasticamente essas medidas.
Essa aproximação se aprofundou na campanha para as eleições presidenciais que deveriam ocorrer em 1938. Plínio Salgado era o candidato da AIB e parecia ter chances reais, dado o tamanho de seu movimento. Vargas, por sua vez, não podia se candidatar à reeleição segundo a Constituição de 1934. O apoio dos integralistas era visto por ele como uma força de contenção contra outras oposições.
Contudo, Getúlio tinha seus próprios planos. Em 10 de novembro de 1937, alegando a existência de uma nova ameaça comunista (o famoso Plano Cohen, que mais tarde se revelou uma farsa), Vargas deu um autogolpe, fechou o Congresso Nacional, cancelou as eleições e outorgou uma nova Constituição. Nascia o Estado Novo, um regime ditatorial centralizado em sua figura. Os integralistas, que inicialmente apoiaram o golpe acreditando que teriam um papel de destaque no novo governo, foram apunhalados pelas costas. Um decreto de Vargas, semanas depois, extinguiu todos os partidos e agremiações políticas no Brasil, incluindo a AIB. Os “camisas-verdes” foram traídos, e o sonho de Plínio Salgado de chegar ao poder foi subitamente transformado em pó.
A Conspiração: O Plano para Tomar o Poder
A frustração e o sentimento de traição foram o combustível para a conspiração. Sentindo-se enganados e marginalizados, os integralistas começaram a tramar em segredo a derrubada de Vargas. Plínio Salgado, já em um exílio velado em Portugal, deu seu aval à distância, mas a liderança operacional do levante ficou a cargo de figuras locais.
O plano, embora audacioso, era perigosamente simples. Acreditava-se que, ao tomar o coração do poder – o Palácio Guanabara – e capturar o presidente, as Forças Armadas, onde os integralistas tinham muitos simpatizantes, se juntariam à causa e garantiriam o sucesso do golpe.
O cérebro por trás do ataque direto ao palácio era Severo Fournier, um tenente da Marinha e membro do conselho integralista. O plano foi dividido em duas frentes principais:
- O Grupo de Ataque Principal: Cerca de 80 integralistas, sob o comando de Fournier, seriam responsáveis por invadir o Palácio Guanabara. Eles contavam com a cumplicidade de alguns membros da guarda palaciana para facilitar a entrada. O objetivo era neutralizar a resistência e capturar Getúlio Vargas vivo.
- Apoio da Marinha: Simultaneamente, oficiais integralistas da Marinha deveriam tomar o controle de instalações navais estratégicas, como o Arsenal de Marinha e a Escola Naval, para fornecer apoio armado e consolidar o golpe na capital.
A conspiração, no entanto, estava repleta de falhas. Havia uma subestimação crônica da capacidade de reação de Vargas e das forças leais a ele. Além disso, a comunicação entre os diferentes grupos de conspiradores era falha, e a notícia do plano já havia vazado para as autoridades, embora a data e os detalhes exatos não fossem totalmente conhecidos pelo governo.
A Noite do Levante: Cronologia do Ataque ao Palácio Guanabara
Na noite chuvosa de 11 de maio de 1938, a conspiração foi posta em prática. Por volta da 1 da manhã, o grupo liderado por Severo Fournier avançou sobre o Palácio Guanabara. Inicialmente, o plano pareceu funcionar. Com a ajuda de guardas simpatizantes, eles conseguiram render os sentinelas dos portões e adentrar os jardins do palácio.
O que os integralistas não esperavam era a feroz resistência que encontrariam. O som dos primeiros tiros acordou Getúlio Vargas e sua família. Longe de se render, Vargas, juntamente com sua filha Alzira Vargas e alguns poucos guardas e funcionários leais que estavam dentro do palácio, organizou uma defesa improvisada. Armados com revólveres e fuzis, eles se entrincheiraram, transformando a residência presidencial em uma fortaleza sitiada.
A luta se arrastou por horas. De dentro do palácio, Vargas e seus defensores trocavam tiros com os atacantes nos jardins. O presidente, em um ato de incrível coragem pessoal, telefonou pessoalmente para o Ministro da Guerra, General Eurico Gaspar Dutra, e para o Chefe de Polícia, Filinto Müller, exigindo reforços.
Enquanto isso, a segunda parte do plano fracassava miseravelmente. As forças navais que deveriam dar suporte ao levante não se mobilizaram como o esperado. A comunicação falhou, e a liderança hesitou. Sem os reforços e o apoio naval, os atacantes do palácio estavam isolados e em desvantagem.
Ao amanhecer, as tropas do Exército finalmente chegaram e cercaram o Palácio Guanabara. Vendo-se sem saída, os integralistas se renderam. A Intentona havia fracassado. A imagem de Vargas, de pijama e com um revólver na mão, defendendo sua residência e seu poder, tornou-se um símbolo poderoso de sua resiliência e astúcia.
O Fracasso e a Repressão: As Consequências Imediatas
O fracasso da Intentona Integralista foi o pretexto perfeito para que Getúlio Vargas endurecesse ainda mais o regime do Estado Novo. A repressão que se seguiu foi brutal e implacável. Milhares de pessoas suspeitas de envolvimento ou simpatia com o integralismo foram presas em todo o país.
A polícia política de Filinto Müller, conhecida por sua violência, agiu com carta branca. Houve relatos generalizados de tortura, prisões arbitrárias e execuções sumárias. Dois episódios se destacam pela crueldade: o fuzilamento de um grupo de integralistas que se renderam na Escola Naval e o massacre de outros prisioneiros na Ilha das Flores, na Baía de Guanabara.
Para a Ação Integralista Brasileira, foi o golpe de misericórdia. O movimento, que já estava na ilegalidade, foi completamente desarticulado. Seus líderes foram presos ou forçados a um exílio ainda mais rigoroso. Plínio Salgado, que observou tudo de Portugal, foi publicamente responsabilizado e perdeu toda a sua credibilidade política. A AIB, como força organizada, deixou de existir. O episódio serviu como uma lição sombria para qualquer outra força que ousasse desafiar o poder absoluto de Getúlio Vargas.
Legado e Análise Histórica: O que a Intentona nos Ensina?
A Intentona Integralista de 1938 é mais do que um simples rodapé na história do Brasil. Ela representa o clímax de uma década de profundas tensões ideológicas e a consolidação de um dos regimes mais centralizadores da nossa história. O episódio marca o fim da trajetória da AIB como um movimento de massa relevante e demonstra a habilidade política e a natureza implacável de Getúlio Vargas.
Historicamente, o evento ilustra os perigos da radicalização política e as consequências de se subestimar um adversário. Os integralistas, confiantes em seu número e em sua suposta influência militar, agiram com mais paixão do que estratégia, e o resultado foi catastrófico para sua causa. Para Vargas, a Intentona foi uma oportunidade de ouro: ele não apenas eliminou seu último grande grupo de oposição organizada, mas também construiu uma narrativa heroica em torno de si mesmo, a do líder que defendeu pessoalmente a nação de um ataque traiçoeiro. O Estado Novo saiu do episódio fortalecido, e o controle de Vargas sobre o Brasil, mais absoluto do que nunca.
Curiosidades sobre a Intentona Integralista
A história está nos detalhes. Aqui estão alguns fatos curiosos que tornam este evento ainda mais fascinante:
- A Filha Combatente: Alzira Vargas, filha e braço direito do presidente, teve um papel ativo na defesa do palácio. Relatos da época descrevem como ela, ao lado do pai, empunhou uma arma e ajudou a organizar a resistência, mostrando uma coragem notável.
- A Fuga de Fournier: O líder do ataque, Severo Fournier, conseguiu escapar do cerco ao Palácio Guanabara. Ele permaneceu escondido por meses, mas acabou sendo capturado, julgado e preso.
- A Posição de Plínio Salgado: Embora tenha dado o “sinal verde” para a conspiração, Plínio Salgado estava a um oceano de distância, em Portugal. Sua ausência física no momento crucial foi vista por muitos como covardia e minou permanentemente sua imagem como líder.
- Envolvimento Alemão? Por muito tempo, especulou-se sobre um possível envolvimento da Alemanha Nazista no levante, dado as afinidades ideológicas. Investigações posteriores, no entanto, não encontraram evidências concretas de apoio material ou financeiro direto de Berlim à conspiração integralista.
Exercícios Comentados sobre a Intentona Integralista
Teste seus conhecimentos sobre o tema com estas questões no estilo dos grandes vestibulares.
Questão 1: A Intentona Integralista de 1938 foi uma reação direta a qual evento político instaurado por Getúlio Vargas?
a) A Revolução de 1930
b) A Constituição de 1934
c) A Intentona Comunista de 1935
d) A instauração do Estado Novo em 1937
e) A criação da Justiça do Trabalho
Comentário da Resposta (d): A resposta correta é a (d). O estopim para a revolta integralista foi o autogolpe de Getúlio Vargas em 10 de novembro de 1937, que deu início ao Estado Novo. Com este ato, Vargas cancelou as eleições presidenciais de 1938, para as quais o líder integralista Plínio Salgado era candidato, e posteriormente tornou todos os partidos políticos ilegais, incluindo a Ação Integralista Brasileira (AIB). Esse ato foi visto como uma traição, motivando o levante.
Questão 2: O principal objetivo dos integralistas ao atacar o Palácio Guanabara em 11 de maio de 1938 era:
a) Forçar a renúncia do Ministro da Guerra.
b) Libertar prisioneiros políticos comunistas.
c) Derrubar Getúlio Vargas e tomar o poder.
d) Exigir a legalização da Ação Integralista Brasileira.
e) Protestar contra a política econômica do governo.
Comentário da Resposta (c): A resposta correta é a (c). O plano não era uma simples manifestação ou negociação. A Intentona Integralista foi uma tentativa de golpe de Estado com o objetivo claro de depor o presidente Getúlio Vargas, capturando-o em sua residência oficial, e assumir o controle do governo brasileiro. As outras opções representam objetivos secundários ou incorretos.
Questão 3: “Anauê!”, o uso de camisas verdes e o símbolo do Sigma (Σ) eram elementos característicos de qual movimento político brasileiro da década de 1930?
a) Aliança Nacional Libertadora (ANL)
b) Partido Comunista Brasileiro (PCB)
c) Ação Integralista Brasileira (AIB)
d) Partido Republicano Paulista (PRP)
e) Coluna Prestes
Comentário da Resposta (c): A resposta correta é a (c). Todos os elementos citados – a saudação “Anauê!”, os uniformes “camisas-verdes” e o símbolo Sigma – são as marcas mais conhecidas da Ação Integralista Brasileira, o movimento liderado por Plínio Salgado. É fundamental associar essa simbologia ao integralismo para compreender o contexto da época.
Questão 4: Qual foi a principal consequência do fracasso da Intentona Integralista para o governo de Getúlio Vargas?
a) O enfraquecimento de sua autoridade perante os militares.
b) O início de uma abertura política gradual.
c) A consolidação e o endurecimento do regime do Estado Novo.
d) A convocação de novas eleições presidenciais.
e) A renúncia de seu Ministro da Guerra, General Dutra.
Comentário da Resposta (c): A resposta correta é a (c). Longe de enfraquecer Vargas, o fracasso do levante deu a ele o pretexto ideal para intensificar a repressão contra toda e qualquer oposição. O episódio serviu para eliminar o último grande movimento político organizado que poderia desafiá-lo, resultando na consolidação e no endurecimento do caráter autoritário do Estado Novo.
Conclusão: Uma Noite que Moldou o Brasil
A Intentona Integralista de 1938 foi muito mais do que uma tentativa de golpe fracassada. Foi um ponto de virada, um episódio dramático que revelou as profundas fraturas ideológicas do Brasil da época e a astúcia de um dos líderes mais complexos de nossa história. Estudar este evento é essencial para entender não apenas a Era Vargas, mas também as dinâmicas de poder, radicalismo e autoritarismo que, de tempos em tempos, ressurgem no palco nacional. A noite em que o Palácio Guanabara se tornou um campo de batalha deixou cicatrizes e lições que ecoam até hoje.
Perguntas Frequentes (FAQs)
Qual era o principal objetivo da Intentona Integralista?
O objetivo central era derrubar o presidente Getúlio Vargas e o regime do Estado Novo por meio de um golpe de Estado. Os integralistas planejavam tomar o poder e instaurar seu próprio modelo de governo, um Estado corporativista e ultranacionalista.
Plínio Salgado participou diretamente do ataque?
Não. Embora seja considerado o mentor intelectual e tenha dado sua aprovação à distância, Plínio Salgado estava em exílio voluntário em Portugal durante o levante de 11 de maio de 1938. A liderança operacional do ataque ficou a cargo de outros membros do movimento, como Severo Fournier.
Por que os integralistas se voltaram contra Getúlio Vargas?
Inicialmente, os integralistas eram aliados de Vargas, especialmente em sua pauta anticomunista. A ruptura ocorreu quando Vargas, através do golpe de 1937, instaurou a ditadura do Estado Novo e, logo em seguida, decretou a ilegalidade de todos os partidos políticos, incluindo a Ação Integralista Brasileira. Os integralistas se sentiram traídos, pois esperavam participar do novo governo.
A Intentona Integralista teve apoio popular ou militar significativo?
O apoio foi muito menor do que os conspiradores esperavam. Embora a AIB fosse um movimento de massa e tivesse simpatizantes nas Forças Armadas, o apoio efetivo durante o levante foi ínfimo. A maior parte dos militares permaneceu leal a Vargas, e não houve nenhuma manifestação popular em favor do golpe, o que contribuiu decisivamente para seu rápido fracasso.
Quais foram as principais consequências do levante?
As principais consequências foram: a repressão violenta e o desmantelamento completo da Ação Integralista Brasileira; a prisão e o exílio de seus líderes; e, o mais importante, a consolidação do poder de Getúlio Vargas e o endurecimento do regime do Estado Novo, que eliminou sua última oposição organizada.
Este capítulo da nossa história é fascinante e complexo. O que mais te surpreendeu na Intentona Integralista? Deixe seu comentário abaixo e vamos continuar essa conversa!
Referências
- FAUSTO, Boris. A Revolução de 1930: historiografia e história. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.
- TRINDADE, Hélgio. Integralismo: o fascismo brasileiro na década de 30. São Paulo: Difel, 1974.
- SKIDMORE, Thomas E. Brasil: de Getúlio a Castelo (1930-1964). Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982.
O que foi a Intentona Integralista de 1938? (Resumo Completo)
A Intentona Integralista, ocorrida na madrugada de 11 de maio de 1938, foi uma tentativa de golpe de Estado liderada por membros da Ação Integralista Brasileira (AIB) contra o governo de Getúlio Vargas. O principal objetivo era depor Vargas e tomar o poder, instalando um regime alinhado à ideologia integralista. O evento é também conhecido pejorativamente como “Levante do Pijama”, uma vez que o ataque principal se deu contra o Palácio Guanabara, a residência oficial do presidente, que foi pego de surpresa. O plano consistia em um ataque coordenado: enquanto um grupo de aproximadamente 80 integralistas, sob o comando de Severo Fournier, invadia o palácio para capturar ou neutralizar Vargas, outro grupo deveria tomar o controle do Ministério da Marinha e garantir o apoio de setores das Forças Armadas. A ação, no entanto, foi mal-sucedida. A resistência inesperada dentro do palácio, que contou com a participação do próprio Getúlio Vargas, sua filha Alzira e alguns guardas, conseguiu conter os invasores por tempo suficiente para a chegada de tropas leais ao governo. A falta de comunicação e a falha em obter o apoio militar esperado selaram o destino do levante. A Intentona Integralista resultou em um fracasso total para a AIB, sendo seguida por uma repressão violenta e sistemática que desmantelou completamente o movimento, consolidando de forma definitiva o poder de Getúlio Vargas no comando do Estado Novo.
Para entender o evento em sua totalidade, é crucial olhar para seu contexto. A AIB, um movimento de inspiração fascista liderado por Plínio Salgado, havia apoiado o golpe de Vargas em 1937 que instituiu o Estado Novo. Os integralistas acreditavam que seriam recompensados com posições de destaque no novo governo. Contudo, Vargas, em um movimento para centralizar todo o poder em suas mãos, decretou a extinção de todos os partidos e agremiações políticas em dezembro de 1937, o que incluía a própria AIB. Sentindo-se traídos e sem espaço político para atuar legalmente, os integralistas optaram pela via da conspiração e da força. O fracasso da Intentona não apenas eliminou a AIB como força política relevante, mas também serviu de pretexto para Vargas intensificar a repressão contra qualquer forma de oposição, fortalecendo os mecanismos de controle e vigilância do seu regime autoritário. Assim, a Intentona Integralista é um episódio fundamental para compreender a dinâmica de poder e a consolidação do Estado Novo no Brasil.
Por que os integralistas tentaram tomar o poder em 1938? (Causas e Motivações)
As causas da Intentona Integralista de 1938 são complexas, mas podem ser resumidas em um sentimento profundo de traição política e frustração ideológica por parte da Ação Integralista Brasileira (AIB) em relação a Getúlio Vargas. O principal catalisador foi a dissolução de todas as agremiações políticas, incluindo a AIB, imposta por Vargas após a instauração do Estado Novo em novembro de 1937. Para compreender essa ruptura, é preciso voltar um pouco no tempo. Durante a polarização política dos anos 1930, a AIB, com sua forte retórica nacionalista, anticomunista e antiliberal, cresceu significativamente, tornando-se um movimento de massa. Eles viam com bons olhos a ascensão de um governo forte e centralizado e, por isso, apoiaram ativamente o golpe de Vargas que deu fim à República Velha tardia. Os integralistas, liderados por Plínio Salgado, nutriam a expectativa de que seriam a base ideológica e política do novo regime, talvez até mesmo com Salgado assumindo um ministério chave, como o da Educação.
A surpresa e o descontentamento foram imensos quando, em 2 de dezembro de 1937, Vargas assinou o Decreto-Lei nº 37, que extinguia todos os partidos políticos sem exceção. A justificativa oficial era a necessidade de unificar a nação sob a liderança única do presidente, eliminando as “divisões partidárias” que, segundo a propaganda do regime, enfraqueciam o Brasil. Para a AIB, isso foi um golpe mortal. Eles se viram usados como massa de manobra para a consolidação do poder de Vargas e, em seguida, descartados. A proibição de suas atividades, uniformes (as famosas camisas-verdes), saudações e símbolos foi humilhante para um movimento que se via como a vanguarda da “revolução nacional”. Sem canais legais para expressar suas ambições políticas e sentindo que o Estado Novo de Vargas não era o “Estado Integral” que eles idealizavam, uma facção mais radical dentro do movimento começou a conspirar. Eles acreditavam que Vargas havia roubado sua revolução e que cabia a eles, pela força, tomar o que consideravam seu por direito: o controle do Estado brasileiro. A Intentona foi, portanto, uma reação direta à manobra de Vargas, uma tentativa desesperada de reverter a perda de poder e influência, motivada por um misto de idealismo frustrado e cálculo político mal-executado.
Como se desenrolou o ataque da Intentona Integralista ao Palácio Guanabara?
O ataque ao Palácio Guanabara, coração da Intentona Integralista, foi uma operação militar audaciosa, porém marcada por falhas de planejamento e execução que levaram ao seu fracasso retumbante. O plano foi concebido para ser rápido e decisivo. Na madrugada de 11 de maio de 1938, um grupo de cerca de 80 integralistas, vestidos com uniformes da Marinha para despistar a vigilância, avançou sobre o Palácio Guanabara, a residência presidencial no Rio de Janeiro. A liderança da ação estava a cargo de Severo Fournier, um membro proeminente da AIB. O plano tinha duas frentes principais: a tomada do palácio com a captura de Getúlio Vargas e, simultaneamente, a ocupação do Ministério da Marinha por outro grupo, que deveria cortar as comunicações e mobilizar o apoio de oficiais simpatizantes da causa.
A primeira parte do plano pareceu funcionar inicialmente. Os invasores conseguiram render a guarda externa do palácio e adentrar os jardins. No entanto, a resistência que encontraram no interior foi muito mais forte do que o esperado. A Guarda Presidencial, embora em menor número, reagiu ferozmente. O que tornou o episódio histórico e famoso foi a participação direta de Getúlio Vargas e de seus familiares na defesa. Relatos da época, incluindo os do diário do próprio Vargas, descrevem como ele, sua filha Alzira Vargas, seu irmão Benjamin e alguns funcionários pegaram em armas e se juntaram à troca de tiros contra os invasores a partir das janelas do palácio. Essa resistência inesperada foi crucial, pois atrasou o avanço dos integralistas por várias horas.
Enquanto a batalha se desenrolava no Guanabara, a segunda parte do plano fracassava completamente. O grupo destinado a tomar o Ministério da Marinha não obteve sucesso, e as linhas telefônicas não foram cortadas a tempo. Isso permitiu que o Ministro da Guerra, General Eurico Gaspar Dutra, e o Chefe de Polícia, Filinto Müller, fossem alertados sobre o ataque. Tropas do Exército foram rapidamente mobilizadas e cercaram o palácio. Sem reforços e presos entre a resistência interna e as forças do governo que chegavam do lado de fora, os integralistas viram sua situação se tornar insustentável. Ao amanhecer, a rebelião havia sido esmagada. Muitos dos invasores foram mortos em combate ou executados sumariamente após a rendição, e os sobreviventes foram presos. O ataque, que deveria ser um golpe de mestre, transformou-se em um massacre e no fim definitivo da Ação Integralista Brasileira como movimento organizado.
Qual era o contexto político do Brasil durante a Intentona Integralista?
A Intentona Integralista de 1938 ocorreu em um dos períodos mais centralizadores e autoritários da história do Brasil: o Estado Novo (1937-1945). Compreender este contexto é essencial para entender as motivações e o desfecho do levante. O Estado Novo foi um regime implantado por Getúlio Vargas através de um golpe de Estado em 10 de novembro de 1937. Esse golpe foi justificado pela suposta ameaça de uma insurreição comunista, “comprovada” pela divulgação do Plano Cohen, um documento forjado que descrevia um plano detalhado para a tomada do poder pelos comunistas. Usando esse pretexto, Vargas fechou o Congresso Nacional, cancelou as eleições presidenciais previstas para 1938 e outorgou uma nova Constituição, a de 1937, apelidada de “Polaca” por sua inspiração em regimes autoritários europeus.
As características centrais do Estado Novo eram a extrema concentração de poder nas mãos do presidente, a supressão das liberdades individuais e a ausência de um poder legislativo funcional. O regime baniu todos os partidos políticos, censurou a imprensa e criou um poderoso aparato de propaganda, o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), para construir uma imagem positiva do líder e do governo. A perseguição a opositores políticos, fossem eles comunistas, liberais ou quaisquer outros grupos dissidentes, era sistemática e violenta, conduzida por uma polícia política brutal liderada por Filinto Müller. A ideologia do regime era baseada em um nacionalismo exacerbado, no trabalhismo (com a criação da CLT, mas atrelada a um sindicalismo controlado pelo Estado) e no ideal de um Estado forte, capaz de promover a modernização e a industrialização do país acima das disputas políticas.
Foi nesse cenário de poder absoluto que a Ação Integralista Brasileira (AIB) se viu encurralada. Após apoiarem o golpe de 1937, esperando fazer parte do novo governo, os integralistas foram surpreendidos pela decisão de Vargas de ilegalizar também o seu movimento. Eles, que compartilhavam com o regime a aversão ao liberalismo e ao comunismo, não esperavam ser tratados como inimigos. A Intentona Integralista foi, portanto, uma reação a esse ambiente político onde não havia espaço para qualquer forma de poder ou organização política que não estivesse diretamente subordinada à figura de Getúlio Vargas. O levante foi a última tentativa de um grupo político organizado de desafiar pela força a hegemonia varguista, e seu fracasso serviu apenas para reforçar e legitimar ainda mais o caráter repressivo e centralizador do Estado Novo.
Quem foram as principais figuras envolvidas na Intentona Integralista?
A Intentona Integralista de 1938 foi um drama com múltiplos atores, cujas ações e decisões foram determinantes para o desenrolar dos eventos. As figuras mais proeminentes foram:
1. Getúlio Vargas: Como presidente da República e alvo principal do golpe, Vargas é a figura central. Sua reação durante o ataque foi notável. Longe de se esconder, ele participou ativamente da defesa do Palácio Guanabara, atirando contra os invasores. Politicamente, ele foi o grande vitorioso do episódio. Após ter usado a AIB para justificar seu próprio golpe em 1937, ele se livrou de seus antigos aliados de forma definitiva, consolidando seu poder como líder incontestável do Estado Novo. O fracasso da Intentona serviu como pretexto perfeito para intensificar a repressão contra toda e qualquer oposição.
2. Plínio Salgado: O “Chefe Nacional” e fundador da Ação Integralista Brasileira. Embora fosse o líder máximo e a inspiração ideológica do movimento, Salgado não participou diretamente do levante. Na época do ataque, ele se encontrava no interior de São Paulo e, posteriormente, se exilou em Portugal. Sua ausência no momento crucial da ação gerou debates sobre seu papel e seu grau de conhecimento do plano. Independentemente de sua participação direta, sua liderança e suas doutrinas foram a força motriz que levou seus seguidores a tentar a tomada do poder.
3. Severo Fournier: Considerado o líder operacional do ataque ao Palácio Guanabara. Membro da cúpula da AIB, Fournier foi o responsável por comandar os cerca de 80 homens que invadiram a residência presidencial. Sua liderança no campo de batalha foi crucial para os momentos iniciais do ataque, mas a falta de apoio externo e a forte resistência interna levaram sua missão ao fracasso. Ele foi preso após a rendição e se tornou um dos símbolos da tentativa frustrada do levante.
4. Alzira Vargas: Filha e braço direito de Getúlio Vargas, ela teve um papel de destaque e bravura durante a defesa do palácio. Relatos históricos, incluindo os de seu próprio diário, confirmam que ela não apenas ajudou a organizar a resistência, mas também pegou em armas ao lado do pai. Sua atuação é frequentemente citada como um exemplo da determinação da família Vargas em não ceder aos atacantes.
5. Filinto Müller: Chefe da Polícia do Distrito Federal, Müller era uma das figuras mais temidas do Estado Novo, conhecido por sua eficiência e brutalidade na repressão aos opositores do regime. Embora não estivesse no palácio durante o ataque inicial, foi ele quem coordenou a violenta repressão que se seguiu à Intentona. A perseguição, prisão e tortura de milhares de integralistas por todo o Brasil foram conduzidas sob seu comando, garantindo o desmantelamento completo do movimento.
6. General Eurico Gaspar Dutra: Então Ministro da Guerra, sua lealdade a Vargas foi fundamental para o fracasso do golpe. A mobilização rápida das tropas do Exército sob seu comando para cercar o Palácio Guanabara foi o golpe de misericórdia nos planos dos integralistas, que contavam com a hesitação ou mesmo a adesão de setores militares.
Quais foram as principais consequências da Intentona Integralista?
As consequências da fracassada Intentona Integralista de 1938 foram profundas e de longo alcance, impactando diretamente o destino da Ação Integralista Brasileira e, principalmente, a estrutura de poder do Estado Novo. Podemos dividi-las em três áreas principais:
1. Aniquilação da Ação Integralista Brasileira (AIB): Para os integralistas, o resultado foi catastrófico e definitivo. A derrota não foi apenas militar, mas também política e moral. O movimento, que já havia sido colocado na ilegalidade, foi alvo de uma repressão implacável. Milhares de seus membros foram presos em todo o país, muitos foram torturados e alguns foram executados. Suas lideranças foram presas ou forçadas ao exílio, como o próprio Plínio Salgado. A AIB, que chegou a ser um dos maiores movimentos de massa da história do Brasil, foi completamente desarticulada e perdeu toda a sua capacidade de mobilização e influência política. O levante de 1938 marcou o fim da AIB como uma força relevante no cenário nacional.
2. Consolidação e endurecimento do Estado Novo: Se para os integralistas a Intentona foi um desastre, para Getúlio Vargas foi uma bênção política. O levante serviu como a justificativa perfeita para o endurecimento do regime. Vargas utilizou o ataque para reforçar a narrativa de que o país estava sob constante ameaça de “extremistas”, legitimando a necessidade de um governo forte e centralizado. A repressão, que já era uma marca do regime, intensificou-se. O aparato de vigilância e controle do Estado, comandado por figuras como Filinto Müller, foi ampliado e fortalecido. Em suma, a Intentona Integralista permitiu que Vargas eliminasse a última grande oposição organizada à direita, depois de já ter neutralizado a esquerda com a repressão à Intentona Comunista de 1935. Com isso, ele consolidou seu poder de forma quase absoluta, governando sem contestação significativa por mais sete anos.
3. Legado para a cultura política brasileira: O episódio deixou marcas na memória política do país. A imagem de Vargas resistindo de arma na mão, defendendo seu governo, foi amplamente explorada pela propaganda do DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) para construir a imagem de um líder corajoso e inabalável. O termo “Intentona” passou a ser usado para designar levantes armados mal-sucedidos e com um caráter conspiratório. Além disso, o fracasso do levante reforçou no imaginário político a ideia da astúcia de Vargas, capaz de usar e descartar aliados conforme sua conveniência, e demonstrou os perigos de se desafiar um poder centralizado e com o apoio das Forças Armadas. O evento se tornou um estudo de caso sobre os riscos de conspirações armadas e sobre a dinâmica de poder em regimes autoritários.
Qual a relação entre a Intentona Integralista, a Intentona Comunista e o Plano Cohen?
Esses três eventos – a Intentona Comunista (1935), o Plano Cohen (1937) e a Intentona Integralista (1938) – estão intrinsecamente conectados e formam uma sequência lógica que explica a ascensão e a consolidação do Estado Novo de Getúlio Vargas. Eles representam a maneira metódica como Vargas neutralizou as forças políticas à sua esquerda e à sua direita para estabelecer um poder centralizado e pessoal. A relação pode ser vista como um processo de três etapas:
1. A Intentona Comunista (novembro de 1935): Este foi o primeiro evento da sequência. Tratou-se de um levante armado, liderado pela Aliança Nacional Libertadora (ANL) com forte influência do Partido Comunista Brasileiro e apoio de Moscou, que tentou derrubar o governo Vargas. A rebelião eclodiu em Natal, Recife e Rio de Janeiro, mas foi rapidamente e brutalmente esmagada pelas forças governamentais. O fracasso da Intentona Comunista teve uma consequência crucial: criou um poderoso “fantasma do comunismo”. Vargas e seus aliados passaram a usar o medo de uma revolução comunista como principal justificativa para a centralização do poder e a restrição de liberdades. A repressão que se seguiu foi maciça e atingiu não apenas os comunistas, mas todos os opositores do governo.
2. O Plano Cohen (setembro de 1937): Dois anos depois, com a aproximação das eleições presidenciais de 1938, Vargas precisava de um pretexto para permanecer no poder. Foi então que surgiu o Plano Cohen. Tratava-se de um documento falso, forjado nos porões do serviço de inteligência do Exército, que supostamente detalhava um plano comunista para a tomada do poder através de greves, incêndios e assassinatos em massa. O plano foi “descoberto” e divulgado com grande alarde pelo governo. A Ação Integralista Brasileira, ferrenhamente anticomunista, foi uma das principais vozes a clamar por uma ação enérgica do governo. O Plano Cohen foi o álibi perfeito: diante da “iminente ameaça vermelha”, Vargas decretou estado de guerra, fechou o Congresso e, em 10 de novembro de 1937, outorgou a nova Constituição, dando início ao Estado Novo. A AIB apoiou o golpe, acreditando que faria parte do novo arranjo de poder.
3. A Intentona Integralista (maio de 1938): Esta é a etapa final do processo de consolidação. Após usar o anticomunismo para dar seu golpe com o apoio dos integralistas, Vargas os traiu ao decretar a extinção de todos os partidos, incluindo a AIB. Sentindo-se usados e excluídos, os integralistas organizaram seu próprio levante armado. Ao esmagar a Intentona Integralista, Vargas completou sua obra: depois de eliminar a ameaça da esquerda (real ou fabricada), ele agora eliminava a ameaça da direita. A sequência é clara: ele usou o medo da esquerda para se aliar à direita, e depois usou seu poder consolidado para esmagar essa mesma direita. Ao final de 1938, Getúlio Vargas havia se livrado de todos os seus principais adversários organizados, reinando de forma suprema sobre o cenário político brasileiro.
Como estudar a Intentona Integralista para provas e vestibulares? (Guia de Estudo)
A Intentona Integralista é um tema recorrente em provas de História do Brasil, pois se conecta diretamente à Era Vargas e ao Estado Novo. Para estudá-la de forma eficiente, siga uma abordagem estruturada em cinco passos, focando em entender o processo histórico, não apenas em decorar datas.
Passo 1: Domine o Contexto Geral – A Era Vargas (1930-1945).
Não comece pela Intentona. Primeiro, tenha uma visão clara do que foi a Era Vargas, especialmente o período do Estado Novo (1937-1945). Entenda suas características principais: autoritarismo, centralização do poder, nacionalismo, trabalhismo, propaganda (DIP) e repressão policial (Filinto Müller). Sem esse pano de fundo, a Intentona parecerá um evento isolado e sem sentido.
Passo 2: Entenda os Protagonistas – Vargas vs. AIB.
Estude os dois lados da história. De um lado, Getúlio Vargas, um político pragmático e calculista. De outro, a Ação Integralista Brasileira (AIB), um movimento de inspiração fascista liderado por Plínio Salgado. Compreenda a ideologia integralista: “Deus, Pátria e Família”, o nacionalismo extremo, o anticomunismo e o antiliberalismo. Entenda por que, inicialmente, havia uma aliança de conveniência entre eles contra um inimigo comum (o comunismo e a política liberal).
Passo 3: Foque na Causa Direta – A Traição.
Este é o ponto-chave. A principal pergunta a ser respondida é: “Por que os integralistas, que apoiaram o golpe do Estado Novo, se rebelaram contra Vargas menos de um ano depois?”. A resposta está no Decreto-Lei nº 37 (dezembro de 1937), que extinguiu todos os partidos políticos. Para os integralistas, isso foi uma traição. Memorize essa relação de apoio-traição-rebelião, pois ela é o cerne da questão.
Passo 4: Analise o Evento e suas Consequências.
Agora, sim, estude o evento em si: o ataque ao Palácio Guanabara em 11 de maio de 1938. Não precisa saber cada detalhe da batalha, mas é importante conhecer o resultado: um fracasso total para os integralistas. O mais importante, no entanto, são as consequências. As provas costumam cobrar isso. Para a AIB, significou a destruição completa. Para Vargas, significou a consolidação final do seu poder, eliminando a última oposição organizada e justificando o endurecimento do regime.
Passo 5: Faça Conexões Históricas.
Um bom aluno não estuda fatos isolados. Conecte a Intentona Integralista (1938) com a Intentona Comunista (1935) e o Plano Cohen (1937). Entenda como Vargas usou o medo da esquerda para dar um golpe com apoio da direita, e depois esmagou essa mesma direita. Essa “jogada de mestre” política demonstra a habilidade de Vargas em manipular as forças políticas para se manter no poder. Criar uma linha do tempo com esses três eventos pode ser uma ótima ferramenta de visualização e estudo.
Poderia fornecer um exemplo de exercício sobre a Intentona Integralista com resposta comentada?
Claro! Questões sobre a Intentona Integralista frequentemente testam a compreensão das suas consequências para o cenário político da época. Aqui está um exemplo no estilo de vestibulares e do ENEM.
(Exercício Exemplo)
A Intentona Integralista de 1938 foi uma tentativa de golpe contra o governo de Getúlio Vargas, liderada por membros da Ação Integralista Brasileira (AIB). Embora tenha fracassado militarmente, o evento teve profundas consequências políticas para o Brasil da época. A principal consequência política do fracasso da Intentona Integralista foi:
a) O enfraquecimento do poder de Getúlio Vargas, que passou a negociar com a oposição liberal para garantir a estabilidade de seu governo.
b) A imediata convocação de uma Assembleia Constituinte para redigir uma nova carta, mais aberta, substituindo a Constituição autoritária de 1937.
c) O fortalecimento e a consolidação do regime do Estado Novo, que usou o levante como pretexto para intensificar a repressão e centralizar ainda mais o poder.
d) A formação de uma aliança política entre Getúlio Vargas e Plínio Salgado para combater a ameaça comunista, que foi vista como a principal instigadora do levante.
e) A ilegalidade da Ação Integralista Brasileira, que até então era um partido legalmente constituído e o principal aliado do governo Vargas.
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Resposta Comentada:
A alternativa correta é a letra C.
Comentário Detalhado:
- Alternativa (a) está incorreta. O efeito foi exatamente o oposto. O fracasso do levante não enfraqueceu, mas sim fortaleceu o poder de Getúlio Vargas. Ele emergiu do episódio como um líder que havia derrotado os “extremistas” de direita, assim como já havia feito com os de esquerda em 1935. Ele não precisou negociar com a oposição liberal; ao contrário, usou o evento para justificar mais repressão contra qualquer tipo de oposição.
- Alternativa (b) está incorreta. Não houve qualquer movimento em direção a uma abertura política após a Intentona. Pelo contrário, o regime se fechou ainda mais. A Constituição de 1937, de caráter autoritário, permaneceu em vigor, e o Estado Novo endureceu seus mecanismos de controle e censura.
- Alternativa (c) está correta. Este é o ponto central para entender o legado da Intentona Integralista. Vargas e seu aparato de propaganda, o DIP, exploraram o evento ao máximo. O levante foi apresentado como prova de que o país precisava de um pulso firme e de um governo centralizado para manter a ordem. Isso legitimou a intensificação da perseguição policial, a censura e a consolidação do poder pessoal de Vargas, que agora não tinha mais nenhuma força política organizada capaz de desafiá-lo.
- Alternativa (d) está incorreta. A Intentona representou a ruptura total, e não uma aliança, entre Vargas e os integralistas. Plínio Salgado foi para o exílio, e seus seguidores foram caçados. A ideia de uma aliança após um levante armado contra o próprio presidente é historicamente incoerente.
- Alternativa (e) está incorreta. Esta alternativa contém um erro factual importante que muitas vezes confunde os estudantes. A Ação Integralista Brasileira já havia sido colocada na ilegalidade em dezembro de 1937, junto com todos os outros partidos políticos. Foi justamente essa ilegalidade, vista como uma traição por parte de Vargas, a causa principal que levou os integralistas a se rebelarem. Portanto, a Intentona não causou a ilegalidade da AIB; ela foi uma consequência dela.
Quais são as melhores fontes e materiais para aprofundar os estudos sobre a Intentona Integralista?
Para quem deseja ir além do resumo e mergulhar fundo no tema da Intentona Integralista e seu contexto, é fundamental buscar fontes confiáveis e diversificadas. A combinação de livros acadêmicos, documentos de época e recursos digitais oferece a visão mais completa. Aqui estão algumas sugestões de alta qualidade:
1. Livros de Historiadores Renomados:
- História do Brasil, de Boris Fausto: É um manual clássico e uma excelente porta de entrada. O capítulo sobre o Estado Novo contextualiza a Intentona de forma clara, equilibrada e didática. É uma leitura obrigatória para qualquer estudante de história do Brasil.
- O Integralismo no Pós-Guerra: a formação do PRP (1945-1960), de Hélgio Trindade: Embora o foco seja o pós-guerra, Trindade é um dos maiores especialistas em integralismo no Brasil. Suas obras, incluindo artigos e outros livros, oferecem uma análise profunda da ideologia, organização e trajetória da AIB, incluindo os eventos que levaram à Intentona.
- Getúlio (1930-1945): Do governo provisório à ditadura do Estado Novo, de Lira Neto: Esta biografia monumental de Getúlio Vargas dedica um espaço significativo à sua relação com os integralistas e aos eventos de 1938. A escrita é envolvente e baseada em uma vasta pesquisa documental, trazendo à tona os detalhes dos bastidores políticos.
2. Fontes Primárias e Arquivos Digitais:
- Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC-FGV): Este é, talvez, o acervo mais importante para o estudo da Era Vargas. O site do CPDOC disponibiliza online cartas, fotografias, entrevistas e até mesmo o famoso diário de Getúlio Vargas e de sua filha Alzira. Ler os relatos de quem viveu o evento proporciona uma perspectiva única.
- Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional: Permite o acesso a jornais e revistas da época. Pesquisar as edições de maio de 1938 de jornais como Correio da Manhã ou Jornal do Brasil permite ver como a notícia foi coberta e como a propaganda do governo agiu para construir sua narrativa sobre o evento.
3. Documentários e Recursos Audiovisuais:
- Procure por documentários sobre a Era Vargas em plataformas de vídeo como o YouTube ou em canais educativos. Embora poucos se dediquem exclusivamente à Intentona, muitos a abordam como parte crucial da consolidação do Estado Novo. A série “Os Anos JK”, por exemplo, tem um episódio inicial que recapitula a Era Vargas e menciona o episódio.
- Busque por entrevistas com historiadores. Muitos acadêmicos, como os citados acima, participam de palestras e debates disponíveis online, onde analisam o período com grande profundidade.
Dica Final de Estudo: Ao pesquisar online, sempre verifique a credibilidade da fonte. Dê preferência a portais de universidades, instituições de pesquisa (como a FGV) e artigos acadêmicos. Evite blogs ou sites sem autoria clara, pois a complexidade do tema pode levar a interpretações simplistas ou equivocadas. A combinação dessas fontes permitirá uma compreensão robusta e multifacetada da Intentona Integralista e de seu significado na história do Brasil.
| 💡️ Intentona Integralista (1938): Resumo, Aula e Exercícios | |
|---|---|
| 👤 Autor | Fernanda Bueno |
| 📝 Bio do Autor | |
| 📅 Publicado em | outubro 30, 2025 |
| 🔄 Atualizado em | outubro 30, 2025 |
| 🏷️ Categorias | História do Brasil |
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